sábado, 10 de novembro de 2007

Na cidade do tio Sam

Um vídeo e alguma música orquestral nos apresenta um certo lugar no qual estaríamos entrando. Todo um cenário colorido e piscante está à nossa frente. A primeira música , é lógico, é "Sam's Town". Os "matadores" do Killers acham que nos transportaram para um certo lugar chamado a Cidade de Sam.
Logo depois vem "Shadowplay", cover do Joy Division. Apesar de possuir um teclado pegajoso, como "Bones" tem, a música do Killers, em geral, continua tão fraca quanto a maioria do Sam's Town.

Em seguida veio qualquer coisa do Hot Fuss para compensar. Brandon Flowers e companhia tocam com muita energia. Têm plena noção de que podem ser grandes, só não parecem ter tanta noção do problema em que se meteram ao realizar um disco amarrado por um "conceito" comum que permeia o disco inteiro. Em pouco tempo, temos uma parada, na qual o nosso amigável Sr. Flowers vai até o piano e toca o "Exitlude" de Sam's Town, como se todos lá estivessem se sentindo visitantes dessa cidade imaginária. Com esta música, os Killers dizem que apreciam a nossa companhia, mesmo que tão efêmera, eles também esperam que gostemos da estadia. Mas que estadia? Onde? No Tim Festival? Que teve um atraso de 3 horas? É bom mesmo que tenhamos gostado de seu show. Mas agora termine esta falsa simpatia e continue aquele show que todos gostamos de assistir, com direito a cantor em cima do amplificador e tudo mais. Ainda bem que logo em seguida temos "Reasons Unknown", uma das poucas músicas que dá gosto de cantar junto desse último disco.
Entre as que se diferenciaram ao vivo estão principalmente "Jenny was a Friend of Mine", com um baixo destacado de bem demarcado e o vocal firme de Brandon Flowers, a música fica ainda mais impactante; "Somebody Told me" estava um pouco mais lenta, talvez; "All these things that I've done" foi a última e a que sofreu mais interferências para que o pessoal pudesse cantar junto. É assim que esperava o Killers, da maneira que eles cantaram "All these things...", uma banda que sabe dominar um espaço tão grande quanto um estádio de futebol. Mas em certos momentos tive minhas dúvidas quanto a isso. Cheguei finalmente à conclusão (já esperava isso, mas tive mais certeza durante o show) de que as músicas não estão sustentando a banda que o Killers quer ser. Não os Imagino como a banda imaginária "The Killers" do clipe do New Order "Crystal", de onde eles tiraram o nome (uma banda jovem que não parece ter muita noção do que está fazendo). O Killers tem noção do que está fazendo, no palco e em sua carreira, só não parece ter noção do que representa, ou melhor, do que NÃO representa o seu último disco. Uma metáfora mal sucedida, um pouco fora de seu tempo e que não está se sustentando. Diferente do Arcade Fire, na qual a noção de que apenas estes escolhidos estão escrevendo a nossa Bíblia de Neon sobre o que sabem do fim do mundo é tão intrínseca à banda que as músicas ganham teor e valor sustentável. Não existe essa base que sustenta o Killers em sua cidadezinha. Assim, acabam parecendo a personificação da letra da "Crystal": "We're like crystal/ We break easy".
Sim, músicas ruins fragilizam qualquer banda. Melhor tomarem cuidado. Excluam já "Uncle Johnny" de seu setlist, essa é a pior de todas, por favor!

2 comentários:

regiane ishii disse...

bíblia de neon!

Anônimo disse...

acho que agora consigo entender o que te irrita em Sam's Town!