sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Mais sobre o tédio


Acabei vendo "O Eclipse" do Antonioni no mesmo fim de semana do último post. Tudo o que havia pensado naquela semana estava presente lá, o tempo interminável, as baboseiras que fazemos com as nossas vidas, e o vazio que podemos sentir quando não estamos no meio dessas atividades. Outra coisa que me aconteceu nesse mesmo final de semana foi ser assaltado por alguns garotos. Levaram algum dinheiro e o meu celular (Maldito seja meu celular!).
Até alguns dias depois do assalto, eu estava me sentindo incapacitado, quase inútil. Não tinha ficado nervoso com o assalto, mas tinha alguma sensação de imobilidade, não havia nada que poderia fazer ou ter feito. Assistir àquele filme, só me fez ficar mais imóvel. Foi então que me dei conta do que estava errado, de uma maneira diferente de enxergar esse tédio, tanto no filme, quanto na minha vida.

É justamente essa imobilidade, essa indiferença com as coisas, justamente isso, que não deve acontecer. Sim, devemos tentar ser gentis com as pessoas, mas não a ponto de nos sentirmos inúteis quanto a tudo, de nos anularmos, de não querermos nada para nós mesmos. Eu estava começando a me sentir como qualquer coisa jogada no mundo, e pode até ser verdade, mas pelo menos não posso me sentir assim, ou nada vale a pena. No filme, ambas as personagens vivem como todo mundo, nesse tédio automático, e um dia se encontram. Não há tanto drama na relação, quanto angústia e certa estranheza em relação ao outro. É isso que as ajuda a perceber que qualquer coisa assim, que faz com que elas se sintam mais humanas, é mais interessante que a automaticidade do dia-a-dia.
No final, o assalto acabou nem sendo tão traumático, mas me deu uma sacudida e acordada. Infelizmente, as primeiras coisas que vi quando acordei dessa vez, não foram tão boas. Mas depois de sentir alguma violência, algumas outras coisas ficaram mais coloridas em meio ao pálido cotidiano.

Um comentário:

Glauco disse...

O pior de ser assaltado não é de levarem dinheiro ou bens materiais, e sim as coisas que não tem valor para os outros, só pra gente.

Se você tivesse escrito esse post alguns dias depois, o filme de tédio se chamaria "A flauta mágica", não? rs